Se soubessémos o momento certo, ou as conseqüências do que planejamos fazer...
Ah se o destino, ou futuro, ou como preferirem chamar, estivesse claro e límpido diante de nossos olhos.
Se o coração fosse mais forte que o cérebro, e por dois minutos, quando ao te ver a coragem brotasse do meu peito, corresse para minha boca saindo, escapulindo, jorrando e eu conseguisse te mostrar, quanta coisa se passa aqui... Bem aqui, em mim...
Ah, mas se as coisas fossem assim, perderíamos também, o que de surpresa e adrenalina que a vida nos dá.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
No compasso dos passos das horas
Tem ano que arraa...aaa...aasta para passar. Tem ano que voa. Para Maristela esse foi um daqueles que parecia ter tido 687 dias, mas finalmente seu fim estava pertinho. Sentou-se na mesa quadrada e velha de sua cozinha e pegou um pouco de matzá, mas estava velha e mole, resolveu então que um ovo seria sua melhor opção. Feito, tornou a sentar-se. A caneca continha seu café preto, puro e frio, no prato estava o ovo mexido, mas Maristela, ah essa estava longe...
Pensava em sua infância e como aprontara naquela época, tempo bom sem dúvida. Era um tempo que à mesa sentavam-se 10 pessoas, o falatório era grande, muitas bocas, muitos olhos, muitas mãos... Os almoços de domingo então, pareciam mais comícios. Depois Maristela se transportou para uma época de sua adolescência. Fase animada, de muitos amigos entrando e saindo da casa do Marcelo, que era o dono do "Quartel General das Noitadas". Perdera as contas de quantas coisas novas ela tinha passado naquela casa, mas uma coisa era certa: nunca saía de lá da mesma maneira que entrava, a casa era uma verdadeira surpresa constante.
Logo ela começou a pensar no ano de definição de sua profissão, o quanto estudou, o quanto não estudou, os impasses, as dúvidas, as resoluções... Passada essa fase, a faculdade a esperava, com todos os novos percalços a serem desbravados.
Hoje Maristela era mãe, meio mineira (afinal havia se mudado do seu querido Espírito Santo há tanto tempo para Minas Gerais, que já se considerava meio de lá meio de cá), meio artista (vivia pintado quadros, apesar de não gostar de ficar olhando eles por muito tempo depois de prontos), meio geóloga... A vida lhe dera tantos ramos diferentes que hoje Maristela era um "meio-tudo" de um bocado de coisa misturada, mas gostava muito de assim ser.
E como que só para trazê-la de volta de seu transe-nostálgico, a campainha soou. Era Adélia e Marquinhos à porta. Entraram portando consigo uma caixa novinha de matzá, Maristela ofereceu-lhes um pouco do ovo mexido que havia recém feito, mas logo ficou decidido que iriam pedir comida pelo telefone... Já à mesa, ela e os filhos começaram a conversar sobre a faculdade, os namoros, os trabalhos e muitas outras coisas...
Esta era uma noite de quarta-feira, que iria passar arrastada, mas esse era um tipo de arrastado gostoso, que alegrava Maristela, de certeza que entraria pela madrugada botando os assuntos em dia...
Pensava em sua infância e como aprontara naquela época, tempo bom sem dúvida. Era um tempo que à mesa sentavam-se 10 pessoas, o falatório era grande, muitas bocas, muitos olhos, muitas mãos... Os almoços de domingo então, pareciam mais comícios. Depois Maristela se transportou para uma época de sua adolescência. Fase animada, de muitos amigos entrando e saindo da casa do Marcelo, que era o dono do "Quartel General das Noitadas". Perdera as contas de quantas coisas novas ela tinha passado naquela casa, mas uma coisa era certa: nunca saía de lá da mesma maneira que entrava, a casa era uma verdadeira surpresa constante.
Logo ela começou a pensar no ano de definição de sua profissão, o quanto estudou, o quanto não estudou, os impasses, as dúvidas, as resoluções... Passada essa fase, a faculdade a esperava, com todos os novos percalços a serem desbravados.
Hoje Maristela era mãe, meio mineira (afinal havia se mudado do seu querido Espírito Santo há tanto tempo para Minas Gerais, que já se considerava meio de lá meio de cá), meio artista (vivia pintado quadros, apesar de não gostar de ficar olhando eles por muito tempo depois de prontos), meio geóloga... A vida lhe dera tantos ramos diferentes que hoje Maristela era um "meio-tudo" de um bocado de coisa misturada, mas gostava muito de assim ser.
E como que só para trazê-la de volta de seu transe-nostálgico, a campainha soou. Era Adélia e Marquinhos à porta. Entraram portando consigo uma caixa novinha de matzá, Maristela ofereceu-lhes um pouco do ovo mexido que havia recém feito, mas logo ficou decidido que iriam pedir comida pelo telefone... Já à mesa, ela e os filhos começaram a conversar sobre a faculdade, os namoros, os trabalhos e muitas outras coisas...
Esta era uma noite de quarta-feira, que iria passar arrastada, mas esse era um tipo de arrastado gostoso, que alegrava Maristela, de certeza que entraria pela madrugada botando os assuntos em dia...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Dança a dois
LEIAM O TEXTO AO SOM DA MÚSICA:
Outro trago, outra lágrima, e o filme continua a se desenrolar para trás. Quase que inesperadamente, ele breca e uma projeção de seu coração é exibida em sua paredeverde. Ele anda cheio e vazio, grande e pequeno, feliz e triste... Mas ao menos expõe uma realidade que será vivida, e que a faz pensar no grande futuro de uma, ainda, pequena garotinha, que agora tem de atravessar as ruas da vida sozinha, sem ter a quem dar a mão.
Saindo do plano da paredeverde, ela encontra um reduto acolhedor em seus livros. Aturdida, abre um pequeno que a abraça com sua tinta em forma de palavras e a nina como um pequeno bebê.
Com o avançar da hora, Morfeu a leva para o lugar sereno do mundo dos sonhos onde novamente ela pode ser guiada pela multidão sem se perder.
Assim a câmera da vida, abre sua lente enquadrando seu corpo deitado na cama larga, restando-nos apenas o movimento das ondas de seus cabelos.
Ela era um ponto, na vastidão. Era madrugada, e da janela via-se um breu. Por algum motivo do lado de lá da avenida estava tudo escuro, do lado dela tudo seguia normalmente, com a meia-luz que lhe era comum e habitual durante as primeiras, e escuras, horas do dia que teimava em vir. Os cigarros corriam seus dedos, e morriam pequenos num mar de grãos de seu cinzeiro.
Essa era a hora exata que sua vida começava a correr no sentido contrário, tomando o fluxo na contra-mão e passando em sua frente como um filme, rápido, serpenteava por entre seus olhos, se enroscava em seus cachos e partia pela janela escura que guardava o amanhecer seguinte.
Nada parava a enxurrada que agora a invadia arrebatadoramente, era tudo turvo, como que tenta ver através de uma cortina d'água. É como se ela tivesse sido conduzida por uma legião para estar no lugar que agora ocupava, e justo no momento em que mais precisou a multidão se esvaiu... Ela estava só, completamente só. Com uma efervescência interna que borbulhava queimando-a, ela procura as respostas que a conduziram até este ponto de sua vida, mas essas não apareciam com facilidade.Outro trago, outra lágrima, e o filme continua a se desenrolar para trás. Quase que inesperadamente, ele breca e uma projeção de seu coração é exibida em sua paredeverde. Ele anda cheio e vazio, grande e pequeno, feliz e triste... Mas ao menos expõe uma realidade que será vivida, e que a faz pensar no grande futuro de uma, ainda, pequena garotinha, que agora tem de atravessar as ruas da vida sozinha, sem ter a quem dar a mão.
Saindo do plano da paredeverde, ela encontra um reduto acolhedor em seus livros. Aturdida, abre um pequeno que a abraça com sua tinta em forma de palavras e a nina como um pequeno bebê.
Com o avançar da hora, Morfeu a leva para o lugar sereno do mundo dos sonhos onde novamente ela pode ser guiada pela multidão sem se perder.
Assim a câmera da vida, abre sua lente enquadrando seu corpo deitado na cama larga, restando-nos apenas o movimento das ondas de seus cabelos.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
dias de rio // resuminho do fim de semana
Meados de Novembro, daí você pensa: vai tá fazendo um calorzinho né, já já começa o verão carioca e tal... É nesse ponto que você já começa enganado! Pegar um avião e um trânsito enorme na linha vermelha, pós-festa de formatura e achar que vai estar tudo sob controle, também é outra doce e linda ilusão...
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| Sorvete de Pitanga |
Bom, depois dos errinhos iniciais curti muito o Rio, foi uma visitinha rápida e à "trabalho", mas deu pra andar em Ipanema, ver um filme no Leblon, pegar ônibus na Gávea, e aproveitar o friozinho do Jardim Botânico, que eu tanto gosto!
Sexta foi o dia da chagada, melhorar do pós-formatura e ir apenas na sorveteria Mil Frutas, no Jardim Botânico mesmo, com as mulheres da família - mãe, tia e prima-irmã.
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| Devassinha Ruiva |
Sábado na hora do almoço saímos de casa pra resolver umas coisinhas e depois perambulamos por Ipanema, parando para almoçar no Armazém Devassa, e é CLARO que apreveitei para provar a Devassinha Ruiva (sim gente era esse o nome que tava no cardápio)!
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| Mami no Gula-Gula |
No domingo almoçamos juntas no Gula-Gula, um restaurante super leve, cheio de saladinhas e com um ambiente acolhedor. Para uma tarde de domingo terminamos o fim de semana passeando pelo Jardim Botânico mesmo, e pedindo uma pizza pelo telefone a noite.
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| Armazém Devassa |
Hoje pegamos o pássaro de aço de volta à terrinha e deixamos a cidade maravilhosa, com a certeza do retorno!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Bal // Um Doce Olhar - Resenha Crítica
O que esperar de um filme gravado num país de tradições tão diferentes das nossas? Foi exatamente o que me perguntei quando, ao sair de uma sessão de curtas do Dia Internacional de Animação, me deparei com um poster deste filme. Já em casa, procurei saber um pouco do enredo da obra, e tive mais vontade ainda de conhecer a vida daqueles personagens. Bal significa, em turco, Mel, do diretor Semih Kaplanoglu, foi lançado em Agosto de 2010.
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| Bal - Em português: Um doce olhar. |
O filme é silencioso, e segue um ritmo próprio. Foge completamente das propostas que são exibidas em circuito comercial. A intrigante história se passa na Turquia, num região montanhosa, onde Yakup, o Pai, é um apicultor que vive escalando enormes árvores para cuidar de suas colméias, o pequeno Yussuf o acompanha sempre que pode, e a mãe trabalha na colheita de folhas para chá. A vida é simples e bucólica, sendo resumida a trabalhar, comer e dormir.
Yussuf tem provavelmente 7 anos e está na escola aprendendo a ler. Em casa, mesmo com um certo gaguejar, ele já consegue ler frases inteiras, mas ao chegar na sala de aula, fica tão nervoso, que termina sendo o último a ganhar um broche vermelho, que significava ter completado essa etapa do aprendizado. Yussuf é um garoto calado e um pouco levado, nada diferente dos demais de mesma idade. Sempre enxergou em seu pai um amigo, um "explicador das coisas do mundo", um herói e um orgulho. Sua mãe é uma moça jovem e simples, muito doce e gentil, mesmo quando ele a desebedece e não toma o diário copo de leite...O filme tem uma fotografia exuberante, estando muito presente a floresta, as flores, e animais. A casa de madeira de Yussuf é bastante colorida por dentro, na decoração estão presentes sempre estamparias florais. Os sonhos são outra característica marcante da trama, tratados de forma tão bonita e especial, que apenas podiam ser sussurados de um para o outro.
Com a escassez de mel nos arredores o pai de Yussuf, Yakup decide se afastar um pouco mais para tentar encontrar abelhas. Ele começa a demorar demais para regressar. Yussuf percebe a tristeza de sua mãe e como forma de tentar agradá-la, realiza uma das cenas mais belas do filme: a mãe está olhando chorosa e triste para o lado quando então, para tentar melhorar seu ânimo, o filho bebe todo o leite do copo, pois isto certamente a deixaria feliz, não fossem as circunstâncias do momento... No mesmo dia ao chegar da escola, logo depois de ter ganho o tão sonhado broche vermelho, Yussuf e nós, acabamos por descobrir que Yakup havia realmente caído de uma árvore e estava morto, como havia sido mostrado em partes durante o filme(na primeira cena e em um dos sonhos de Yussuf).
Muito atordoado com a notícia Yussuf perambula pela floresta sem rumo certo, e termina adormecendo numa raiz gigante de uma árvore centenária. Temos aí um final esteticamente belo (o pequeno menino em meio a raízes enormes) e silencioso, bem como todo resto do filme.
Com 1:43 de duração, nos faz refletir sobre como é frágil, efêmera e simples a condição humana. Com praticamente nenhuma música é regido pelos sons da natureza e pelos poucos diálogos. Apresenta tomadas que oscilam entre o claro e o escuro e ângulos muito interessantes, como o de uma poça de lama refletindo a cena toda. Este é um filme literalmente para ser Visto e Sentido!
Yussuf e seu intérprete, Bora Altas, definitivamente entraram para o meu hall de personagens queridos.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Everybody's Fine - Apanhado geral do Filme
Há 4 meses eu terminei meu curso de inglês, e para não perder o contato com a língua tenho assistido a muitos filmes. Claro que assistir filmes pra mim é natural, já que é o que eu quero para o meu futuro, mas tenho visto alguns só em inglês para praticar um pouco...
Perambulando pela internet achei este, Everybody's Fine, e pelo bom elenco que tem, logo me atraiu e decidi baixá-lo.
Esse é um daqueles filmes que mostra os percalços e incertezas do caminho, e mostra também que apesar de tudo a vida segue, sempre segue!
*Tradução do vídeo: Olga Kunst
Perambulando pela internet achei este, Everybody's Fine, e pelo bom elenco que tem, logo me atraiu e decidi baixá-lo.
O filme mostra uma família, que vive completamente espalhada pelos Estados Unidos. A cena de abertura mostra o pai, Frank, arrumando ansiosamente a casa para receber seus 4 filhos durante um fim de semana, mas ao longo do dia todos terminam desmarcando o encontro, e inventando desculpas para não viajarem. Ele então decide visitá-los, um por um, e lhes fazer uma surpresa.
Segue então para Nova York, e tenta encontrar David, seu filho artista plástico. Após um dia em frente ao apartamento do rapaz, ele deixa um envelope e vai ver sua filha, a publicitária, Amy, que diz estar muito ocupada e o embarca novamente no dia seguinte para a cidade de seu filho Robert, o músico. Ao chegar direto no ensaio da orquestra, percebe que ele não é Maestro e sim percussionista. Deixa discretamente um envelope no instrumento dele. E novamente sem hospitalidade, Frank viaja no mesmo dia até Los Angeles, para ver Rosie, sua filha bailarina, ela é a única que o recebe bem, e pede para que fique. Por uma complicação durante a viagem ele não tem mais seus remédios e precisa voltar para casa. Sem dizer o motivo à Rosie parte, entregando-lhe o envelope restante.
Durante o vôo Frank tem um ataque cardíaco, e acorda no hospital cercado pelos três filhos, é quando descobre então que David, o artista morreu, Rosie, a bailarina tem um filho com outra moça, e que não sabe muita coisa sobre a vida dos filhos, porque segundo eles, a mãe era boa de ouvido e ele é bom de conversa.
Por fim, para matar a nossa curiosidade, descobrimos que no envelope havia uma frase: "Vejo você no Natal?" e uma foto de sua falecida esposa com os quatro filhos pequenos sentados no chão, perto da árvore de Natal.
Esse é um daqueles filmes que mostra os percalços e incertezas do caminho, e mostra também que apesar de tudo a vida segue, sempre segue!
*Tradução do vídeo: Olga Kunst
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