quinta-feira, 14 de junho de 2012

sentimentos esmagados



preciso de um chá, um chá de inspiração...
preciso de uma noite de sono, de uma noite de sonho.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Anna


        Anna sabia cuidar das pessoas, dar atenção, era até dedicada, se assim podemos dizer. Se virava bem sozinha, era aquele tipo forte, mas que tinha lá suas horas de querer ser cuidada. Anna estava sem paciência, ela só queria: colo, amor e sossego. Mas parecia que era pedir muito!
       Um dia andando, sozinha, como de hábito, ela se deparou com uma enorme árvore de natal, exposta numa loja de departamentos. Era mais um daqueles dias daquela semana em que ela estava com a cabeça oca e com o coração meio pesado. Mas a imagem da árvore, da primeira do ano que ela via, sempre lhe enchia o coração de sentimentos bons.
       O fim do ano tava perto, era o sinal de contagem regressiva iniciada. Agora era só esperar as festas de fim de ano, o alívio da rotina, a chegada dos parentes de outros estados... Todo esse sentimento lhe bateu repentinamente e preencheu sua mente, mas não foi o suficiente para tirar parte do peso de seu coração. Ela decidiu então ocupar o tempo, pois isso era a solução que lhe restava para tentar alegrar aquele dia cinzento.
       Ela entrou na primeira loja de departamentos que encontrou. Tudo ali era verde e vermelho; enfeites, bolas, brinquedos, bichinhos... Anna perambulou um pouco pelos corredores atulhados de coisinhas de Natal e depois de um tempo pegou uma caixinha de luzes pisca-pisca, um tubo cheio de bolinhas vermelhas, e alguns bonecos de neve miúdos. Seguiu para o caixa, enfrentou aquela fila gigantesca típica de lojas de departamento no fim do ano e foi para casa.
       Ao chegar a casa estava um vuco-vuco só! Como todas as casa de família grande ficam no fim do ano. Ela passou por todos, meio aguada, mas fazendo esforço pra dar um "Oi" decente pros que estavam tão animados. Foi para o seu quarto e botou as sacolas em cima de sua mesinha. Pegou uma caixa de sapatos, sua caixa de tintas, e junto com os enfeites recém comprados montou um cantinho natalino. Com os bonecos de neve, as bolinhas vermelhas e as luzes para dar leveza, ela descansou o coração do peso que sentia naquele dia cinza.
       A noite chegou, e as luzinhas acesas em seu quarto, enfeitando sua caixinha de bonecos de neve, levaram para longe o sentimento ruim que havia se aninhado em seu peito. Anna dormiu e sonhou com coisas boas, coisas que a levaram para outro lugar...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ano vai...

    Em pequena retrospectiva o ano teve muitas coisas boas, e uma porrada (literalmente) de coisas ruins. No fim das contas a gente aprende, com tudo!
    2011 foi bem longo e finalmente está acabando. Foi um ano de muitas coisas novas na vida, mudanças, escolhas, rumos (ou não-rumos, talvez melhor dizendo).


Clube da Esquina

    Esse último post, que não ia nem acontecer, e vem em versão mini, está aqui só pra dizer que eu tô bem, sobrevivi ao ano! Se o apocalipse era em 2012 o meu veio antecipado, mas tá tudo certo! Continuo com meus amigos lindos sempre do meu lado, com o meu mais fiel escudeiro Timtim - o bichon frisé mais fofo de todos, uma família doidinha mas que no fundo tem um coração de ouro, e um amor que me faz aprender coisas novas todos os dias através das nossas diferenças.
   
   

    No fim das contas tudo se acerta, e nada é por acaso. Feliz Ano Novo pra vocês, e muitas, muitas muitas alegrias na virada e no ano que está pra chegar!

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Natal de Kunst

    O dia de hoje começou bom desde ontem.
    Sempre gostei do Natal, de ver a família grande reunida, mesmo que sem todo aquele "amor natural" que a gente vê nas fotos bonitas, eu continuo gostando do Natal e desses encontros. Sem falar na grande fofoca que acontece no outro dia, sobre como foi a festa!
    Pra mim o Natal é mais um estado de espírito, que gera boas energias do que qualquer outra coisa.
    O Natal também me faz ter chance de cozinhar muito junto com as outras pessoas da minha casa. Adoro cozinhar, e quando há uma pequena farra na cozinha a coisa é mais divertida ainda!
    Por fim, e não menos importante, vem a roupa nova planejada para esse dia, a maquiagem, o bom banho depois de passar a tarde fazendo salada de bacalhau ou fritando bolinhos de bacalhau (também).
    Todos prontos? Vamos aos presentes e aos abraços. Mas logo, porque rapidinho tudo (pessoas, comidas e animação) têm que seguir para a casa da tia, onde mora a matriarca (101 Natais não é pouco e nem para qualquer um)!
    Bem, e depois de tudo isso (resumidinho) sobre o meu Natal e do que penso sobre ele, só me resta desejar uma boa noite do 24 e um bom almoço do 25 para todos vocês que estão lendo, para todos os meus amigos queridos e para todos os meus amores (que também são amigos, é claro!)
    Um Abraço, com o espírito leve,


O. Kunst!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

balanço desabafado


Malévola e sua floresta de espinhos

    acho as pessoas incríveis. e acho que eu devo ser mais incrível ainda por acreditar nelas. acho um monte de coisas, e digo poucas. antes nãe era assim, mudei com o tempo. me pergunto se só pensar resolve. termino achando que não. mas falar não muda quase nada também. resultado: a solução é fazer. aprender e fazer as coisas direito; sem contar com as costas de ninguém para que a sua vida siga.
    tem horas que é chato, horrível, complicado, punk (...)?! sim. mas foi assim que eu aprendi. o que você quer na vida, você que faça. tem horas que eu me sinto correndo três maratonas dentro do meu próprio cérebro na busca das soluções para a vida. termino pensando em vários assuntos; tem horas que eu até demoro com a solução por me distrair com alguma outra gaveta-mental. mas no fim as coisas estão todas ali. cada uma no seu cantinho esperando para serem usadas em conjunto.
    o ano está no fim, enfim! logo as coisas vão cair novamente na minha cabeça. e outra vez, só eu poderei tirá-las dos ombros. (ainda bem!!).


Aurora
    nesse fim de ano refleti muito sobre algo que eu escuto do meu pai. ele sempre fala do nosso coração. falo no singular porque tanto o meu quanto o dele são quase o mesmo. acho que o velho tem razão. somos amáveis, mas não bobos pai. as vezes não gosto de me ver assim, mas é isso, e provavelmente sempre será. a única dica aos outros possíveis corações, deste tipo, que estiverem lendo isto aqui é: cuidado com a redoma que criarão para proteger esse lugar bonito, que mesmo meio mal-tratado, será sempre bonito. cuidado com os espinhos que você deixará que se formem ao redor dele.




bom fim de 2011 para todos!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Théorie pour la mort d'une génisse

       Tava aqui na maior bobeira, tipo olhando através da tela do computador... Sabe quando você tá pensando em tudo e nada ao mesmo tempo?
       Tem gente na sala, tem falatório, tudo isso entra e sai da minha percepção mas não dou bola, afinal estou muito imersa em alguma coisa, que, sabe deus lá o que é, quando escuto a voz da minha avó, vindo lá da sala... E ela diz a seguinte frase pra alguém que participa de sua conversa: "Tá pensando na morte da bezerra é?"
       Sim vó, exatamente isso, ando nos últimos dias tão cheia de pensamentos que eu acho que todos eles estão convergindo na tal Morte da Bezerra, viu!
       Enfim, depois dessa frase, que não foi pra mim, mas caiu como uma luva, volto aos trabalhos e tento deixar as divagações mentais de lado...
      









juízo, cadê?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PARADISE NOW!


Produção palestina, 2005, de Hany Abu-Assad, com Kais Nashef e Ali Suliman (respectivamente: Said e Khaled)


Kais Nashef

CENA FINAL/CLÍMAX 

   Dentro de um ônibus lotado, tanto por civis quanto por militares fardados, está Said, sentado ao fundo, com um olhar fixo no em direção ao nada. A câmera vai com um zoom in em direção a ele, tomando-o em: um plano médio, depois um close-up, logo um close-up extremo e por fim pára num plano detalhe que enquadra apenas os olhos e as sobrancelhas de Said. Os olhos verdes de Said estão tão cheios de sentimento que nada nos dizem por linguagem que possa ser transcrita. Aqueles olhos penetram tão fundo o espectador que incomodam, não há como estar indiferente; eles suscitam reflexões sobre a condição (des) humana daquela população, que prefere a morte a viver como prisioneiros de um regime tirano, sangrento e opressor.
   O olhar de Said dá voltas no cérebro de quem o observa; são olhos inquietos dentro de uma enorme quietude-apática, são olhos de quem acha que sua vida não resolverá questão nenhuma, mas que sua morte trará, ao menos, repercussão para sua causa. Olhos inertes que gritam!

Só escolhemos a amargura quando a alternativa é ainda mais amarga. – trecho de diálogo retirado do filme


 PARTICULARIDADES EM FOCO 

   Ausência de Música Não-Diegética e o Silêncio do Personagem Principal – Durante todo o filme prestei especial atenção ao som, por ter uma característica peculiar e marcante. Ruídos diegéticos e falas se fizeram constantemente presentes, mas já músicas não-diegéticas não aparecem em momento nenhum, durante os 88 minutos. Logo no início da película consigo ouvir, muito misturado a barulhos ambientes, o som de um rádio, na oficina mecânica, que toca algo ruidoso. O segundo “momento musical” se dá quando o próprio Said põe uma fitinha de Suha para tocar enquanto conversa com Khaled no alto de um morro. A música pode ter vários significados, dependendo de seu ritmo e do contexto em que é inserida, mas nesse caso vejo uma opção do diretor junto ao sound designer de optar pelo extremamente real. A ausência dessa solução narrativa, que, muitas vezes, guia a percepção dos espectadores, significa que nada distrairá o público e que este deve sozinho, perceber o filme, de maneira natural. A música poderia tirá-los da interação com aquela realidade constantemente tensa e divergente de grande parte dos espectadores. 
 Said é um espelho de vários jovens que habitam a região, e seu silêncio esmagador, sua falta de vontade de ser ouvido e de formular soluções para a situação em que se encontra seu país, é transmitida através da sua não-voz. Said se expressa por gestos e expressões, e no fim através de explosivos.
“- O que acontece depois? - Dois anjos virão buscá-los– pergunta de Said à Jamal no caminho para a fronteira.

   Figurino como Alterador da Ordem Natural – O figurino é simples e natural durante o quase todo o filme. Achei interessante pontuar que ao prepararem-se para o grande plano de ataque, os jovens passam por transformações de ordem externas também. O terno, a falta de barba e os cabelos quase raspados, denotam tais mudanças. Em vários momentos do filme podemos perceber a influência do figurino no comportamento/reação dos personagens que interagem com os jovens e que não sabem quem são eles, ou o que estão fazendo.

Ali Suliman
   A exemplo disso, ao ver Said de terno, barbeado e sem os cabelos cacheados, seu chefe o pergunta “Problemas? Porque o terno?”, o motorista de taxi tece comentários a respeito da formalidade da vestimenta do rapaz e a mãe de Khaled pergunta se Said iria se casar. O ponto de maior significação, no entanto, do figurino se dá quando Suha percebe que os dois não podem estar vestidos da mesma maneira (maneira essa que os tornava parecidos com os israelenses) à toa.



domingo, 2 de outubro de 2011

Olá, Outubro!

       Faz tempo que eu não passo e escrevo aqui. Faz tanto tempo, que eu já nem sei por onde começo... A vida vai tão frenética, que as coisas que podem estar no segundo plano vão se pendurando nos pregos das paredes da vida, e ficando por lá mesmo, com preguiça de voltar.
       Bom, mas já que estou aqui, despendurando o blog, preciso dizer que a vida vai bem, cheia, inovadora, e talvez até assustadora em certos momentos, mas no geral: vai bem! Corrida, é verdade, mas as vezes me pergunto o que seria dela se andasse devagar... Nunca saberei, a vida não se sujeita a tais testes, mesmo que se tente, mas de fato a rapidez me move, e isso é bom.
       Parando para pensar um pouco, tenho postado muita coisa aqui sobre emoções, e algumas idéias. Preciso voltar a anotar mais sobre as persepções! Urgente! Esta semana andei criativa, e como literalmente eu ando pela cidade, e na maior parte do tempo meus caminhos são percorridos sem companhia, bolei várias e várias cenas-mentais. Todas absolutamente desconexas de qualquer projeto real ou em andamento. Todas tinham muito o que render sonoramente falando... Preciso anotar, tenho que recolocar meu caderninho na bolsa!
       Agora já é muito tarde, ou na verdade é tarde porque preciso acordar cedo e seguir a minha vida-adulta enfadonha dos diabos amanhã bem cedo... Mas, também acho que devo dormir, porque do contrário vou começar a lembrar de tudo que não fiz e que tá pendurado, lá naqueles preguinhos da vida.
       Bom, mas é fato: essa semana ainda, postarei por aqui, coisas mais consistentes que rondam a minha cabeça. Quem sabe o belo, quem sabe o cego... Quem sabe, os dois.



Abs, Kunst


domingo, 11 de setembro de 2011

their

baleia§
domingo. nublado. pós-kantianos; belosfeios. kid abelha. cigarros¨ suassuana; fácildotorto. expessoas. desejos. alma&verde

domingo, 28 de agosto de 2011

azeitonas verdes, verdes!

Nunca gostei muito de azeitonas verdes, das roxas eu sempre gostei, mas com as verdes mantive uma relação eterna de amor e ódio. Gostava e odiava elas ao mesmo tempo. Hoje sem fome mas com vontade de beliscar decidi olhar a geladeira: pra beber um copinho de leite de soja e pra comer?! Eis que vejo aquele potinho comprido com bolotas verdes e bonitinhas dentro, e então estava decidido! Azeitonas! Não vão encher a barriga e vou ter o que roer por uns minutos! Feliz da vida, segui com exatas 7 delas para o quarto... E dessa vez a supresa foi de fato inacreditável! Superando o fato de que as vezes faço careta com o gosto da conserva que elas ficam embebidas dessa vez minha careta foi pior. As azeitonas verdes estavam VERDES! Super duras e com um gosto mais travoso que o normal... Tristemente resolvi comer as azeitonas mesmo assim, afinal de contas elas já estão aqui do lado, né? Só posso dizer uma coisa sobre essa, literalmente, dura supresa, hoje o ódio às pelotitas verdes venceu, disso não tenho dúvidas...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Longe de longe

  
       Recife anda tão frio, tão sóbrio, tão... não-recife. Talvez o que ande muito não-comum seja a minha vida... Mas ainda não parei pra pensar muito a respeito... E nem acho que o vá!
       Pensar deixa a gente tenso, em algumas circunstâncias, claro.
       Andei com tanta coisa guardada pra desaguar aqui, e agora que paro e escrevo elas simplesmente não saem. Sinto como se minhas mãos tentassem agarrar memórias e registros que permeiam meu cérebro, mas tudo o que se alcança é líquido, e se desfaz!
       Bem, a primeira coisa, a qual me ocorro agora, aconteceu nem faz tanto tempo... Provavelmente, essa tenha sido uma nota mental feita mais ou menos uma hora atrás... É bem verdade que a madrugada produz esse efeito em mim, mas, voltando ao assunto, andei pensando como as coisas mudam e nos pregam verdadeiras peças! Como podemos planejar tanto e tantas coisas e perdê-las de maneira tão imbecil?
       Retornar nunca será missão fácil. Voltar em lembranças pode ser até doloroso fisicamente... É como se abríssemos antigos buracos na pele, rasgando, invadindo um espaço que outrora já fora fechado, mesmo que a muito custo.
      "Como será daqui pra frente?" - Acho que esse ano me ensinou muito, e talvez ignorar essa pergunta do "pra frente" tenha sido a maior dica apreendida! O longe nunca será perto o suficiente para que o toquemos e o modelemos da maneira que imaginamos correta, confortável ou ideal. A vida, nada mais é do que, caminhos sinuosos que se perpassam por outros, formando uma enorme rede de afluentes no grande fluxo do Longe.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

não há

já não se pode viver tudo, já não está tudo claro.
o lugar fora está.
lá, bem na maré - mar.
confusão, tormenta, redemoinho...
tudo que se quer, tudo que se é: oceano infindo de alusões, ilusões e ilustrações...

terça-feira, 5 de julho de 2011

CARALHO VOADOR

mais uma noite no pacato apartamento velho e mofado de Emma:

não costumo ser agressiva escrevendo, até porque julgo que a arte de escrever deve passar por um filtro de cores bonitas antes de ser mostrado... mas não acho que essa constante deva estar sempre presente... acho que podemos deturpá-la quando necessário...
sabe quando sua mão gela, gela muito, e é de raiva? não sabia o que era isso, mas ando tão a flor da pele, como diria a música, que acho que descobri hoje!
a coisa, você se pergunta, o que terá sido? nada de realmente importante... e o pior é isto.
acho que essa raiva eu devo mesmo é sentir de mim mesma, por ser assim... ou talvez por ser assado, vai saber!
a vida já não vai linda, uma merda a mais uma merda a menos... eu sobreviverei!
é, eu sobreviverei... acho que esse ano vai ser o ano de aprender, tipo pra cacete viu, porque olhe eu já tomei tantas que o que vem agora, embrulho num papel de enrolar pregos, trituro e passa pela traquéia.
acho que o melhor a fazer hoje, é tomar um bom vinho, pensar como Buk e apagar!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Açúcar Granulado Fino É Diferente

     Andei tanto de ônibus esses dias. Sério. Ou vai ver eu só estava mais concentrada no caminho do que de costume...
     Sei lá, tem tanta coisa que passa batida, e que merecia mais atenção. Quero conseguir acordar cedo amanhã, quero andar mais na minha cidade, descobri-la melhor.
     O sono sempre vence meus planos matutinos, não tem jeito... Não acredito muito na realização desse, para amanhã, mas não custa botar o despertador (que será deligado e eu nem vou lembrar quando acordar que fui eu mesma que o fiz). Eu acho que o meu eu subconsciente anda jogando num time rival do meu eu consciente viu, porque num é possível: todos os dias o despertador aparece desligado e eu não tenho nem a lembrança de que fui eu. E sim, só pode ter sido eu mesma.
     O grande dia pra mim seria uma madrugada em que eu estivesse invisível, e pudesse sair de casa numa camisola branca, na altura dos joelhos, e que tivesse vento soprando meus cabelos para trás... Andaria por vários bairros, veria muitas casas, prédios, pessoas, árvores... Sentiria o vento, como não se faz de dia, por toda a pressa e correria urbana.
     Sabe que eu descobri hoje que andar de dia, com um picolé de morango do lado, fones de ouvido e nenhum horário a cumprir, nenhum trabalho pra entregar, ninguém pra ligar... pode ser uma das melhores coisas da vida?
     Acho que é por ai, quando as coisas não tão muito numa boa, temos que procurar as pequenas delícias da vida, se não tudo vira limão!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Morangos no Silvestre

Desde de pequena ela sonhava com um pé de morangos.



Agora ela já era grande, tinha seu próprio apartamento, mas continuava em dívida com seu sonho de infância... Morangos para vingarem necessitam de muito sol direto e terra úmida. Alice vivia num grande escuro-encharcado, o que atrapalhava seus planos com relação aos morangos (tão sonhados!).

Numa manhã cinza e de muita pressa, seu elevador, que era apenas um, resolveu demorar tempo demais a chegar no andar dela, levando Alice a uma verdadeira crise de nervos matinal (estes tempos matutinos não a agradavam em absoluto).

Finalmente quando a nossa heroína consegue sair de seu andar e chegar ao térreo do prédio, percebe que alguém está a mudar-se para o Edifício Silvestre... Pensou em quem se mudaria tão cedo, e seguiu descrente para o trabalho.

Ao voltar de sua jornada enfadonha, entrou no elevador (o qual havia sofrido boa parte do dia com o peso da recente mudança) e no instante final do fechamento de sua porta, alguém apertou o botão. Era um rapaz, magro, com óculos grandes, cabelos lisos caídos destraidamente no olho esquerdo que carregava uma plantinha de flores brancas.

Alice logo lembrou-se do sonho dos morangos, e resolveu comentar que gostaria de ter plantas, aliás, corrigiu, plantas não, um pé de morangos. Explicou que era seu sonho desde criança, mas que nunca havia de fato persistido nele. O rapaz então deu-lhe a grande notícia do dia, ou melhor, do mês (quem sabe até, da vida inteira de Alice): Ali estava um belo e pequenino pé de morangos! Porque sim, apesar da cor de suas flores, pés de morango têm flores brancas...

E esse foi o dia em que a vida de Alice recebeu seu sonho direto do elevador velho de seu prédio quadrado.
 A partir disso, seu apartamento agora recebia luz do sol com mais intensidade e o 'molhado excessivo' entrou em desuso na vida dela. E quase destraidamente tambpem,foi assim que Octávio entrou em sua vida.

domingo, 22 de maio de 2011

Igreja Adventista... do Reino de Olga!


Símbolo da Igreja (Vai saber quem conhece né?)

       Título estranho né? Eu sei, eu sei! Mas eu explico... Sabe aquele tipo de semana que praticamente não faz diferença na sua vida? Por exemplo, se ela não tivesse existido não faria falta, mas uma vez tendo acontecido também não te trouxe nada de bom, novo, agradável... Enfim, essa semana foi bem esse estilo, e pra dar uma super fechada nela, decidi: não vou sair no fim de semana, assim é garantia de que ela continue passando sem grandes novidades (novidades essas geralmente ocorridas nas festinhas dos sábados à noite).
       Agora eu moro num bairro que é longe de quase tudo, e isso é outra coisa a ser explicada para que esse texto faça sentido; moro agora num bairro que é longe dos amigos, longe dos barzinhos e longe das festinhas. Daí você nesse momento se pergunta, "E que raios de lugar é esse, e o que essa criatura foi fazer aí?" E aí eu te digo: eu agora moro do LADO da faculdade, e não pego uma hora e vinte de ônibus, todos os dias! Simples assim.
       Sim, mas, voltando ao nosso estranho título. Dado o fato de que eu não sou nem de longe uma pessoa religiosa e que costuma frenquentar igrejas, esse título não faz muito sentido, especialmente porque hoje é sexta à noite e eu tô falando de igrejas. Mas aconteceu uma coisa cômica hoje comigo, e decidi compartilhar aqui no blog: eu e meu amigo, que é meu vizinho lógico, resolvemos nos encontrar numa pracinha que fica a meio caminho das nossas casas, sentamos num dos banquinhos, conversamos besteiras, demos risadas, ficamos com medo de uns tipos estranhos que passaram por perto, quando do nada começamos a sentir aquela coisinha fria, que começou pouquinha e de repente não parava mais: Chuva! O lugar mais próximo era um arco de uma porta que fica de frente para a pracinha. Corremos e ao chegar nesse portal, eu, meu amigo e meu cachorro (que deu um escândalo querendo passear, e foi levado junto nesse programa de índio), ficamos encolhidinhos esperando a chuva diminuir. Só então percebi que nós estávamos na porta da Igreja Adventista de num sei o que... Claro que fiz esse comentário e o Matt riu da minha cara dizendo que só eu mesma pra reparar nisso. Olha só onde eu fui parar à 1:00 da manhã de uma sexta pro sábado, ironico né?
      Acho até que ultimamente tenho reparado em muitas coisas... Só me falta aplicar essas percepções na prática do dia-a-dia (tarefa muito mais difícil do que apenas reparar nas coisas ao nosso redor).
      Hoje, devo mencionar aqui também, que aconteceu outra coisa, e essa de fato legal (sem ironias, rsrs): minha aula de francês. Sabe aqueles dias em que você nem sairia da cama se pudesse? Pronto! Quando me sinto assim em dias de francês (sextas-feiras), porque a semana foi uma droga, porque tá tudo torto na vida, e fico seriamente inclinada a dormir o resto do dia (e agora sim, eu posso fazer isso, ninguém me obriga mais a ir pra aulas! penso na minha turma... Aquelas pessoas fazem das minhas tardes de sextas uma grande terapia de grupo, onde o que a gente mais faz é rir, umas das outras. Portanto, sempre que o desânimo me faz querer faltar, lembro-me das piadas, histórias, gafes e boto uma roupa que me faça sentir bem, pego aquele ônibus que faz um caminho gigante e chego feliz na minha aulinha. Com a certeza que sairei dali revigorada das cargas da semana que vai minguando...
      Enfim, já tá super tarde e eu aqui, escrevendo um texto que amanhã de certo eu vou reler e pensar se devo ou não postar. Mas em todo caso, 03:09 já é um horário bastante avançado pra quem pretende dar uma geral no quarto, no banheiro, na sala e ainda levar o cachorro pra tomar banho na manhã seguinte. Ah e sem esquecer, das obrigações com a faculdade e do desafio, ops, digo filme, que eu loquei, que tem mais de 4 horas de duração! Ou seja, hora de ir!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

BSB º


Sinto falta do céu de Brasília. Sinto falta das retas infindas da cidade-pássaro. Sinto falta da absoluta calmaria habitual dela. Sinto falta até de me perder na mesmice de suas quadras (mesmice só para olhos não treinados, que fique claro!)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Luz de Luíza

Foto: http://www.flickr.com/photos/marianalavrado/

         Agora, completamente enrolada, na minha cama fofinha, estou. Depois de comer gulosamente, porque é nisso que dá quando a gente não come direito e fica morta de fome, estou.
       Bem, essa semana andei pensando sabe, a gente encontra tanta gente na rua, no dia-a-dia, que as vezes nem queria encontrar e justo aqueles que a gente sempre tenta ver, e nunca consegue, não esbarramos por ai... Vidinha injusta né? Também achei... Achei mais algumas outras coisas essa semana, como: Puts, tá chovendo muito! Tudo mofa, tudo molha, é um inferno quando se está há mais de 20 dias numa cidade nublada e chuvosa. Será que eu sobreviveria em Londres? (Fiquei pensando nisso, mas London é London né, eu dava meu jeito).
       Outra coisa é o meu estado civil: segundo um amigo, "...é Luíza esse ano parece que num tá pra gente, mesmo!" Assim né, não é que não tenha aparecido ninguém, mas os que apareceram ou são doidos, ou são indecisos, ou tem problemas demais... O que me levou a mais uma reflexão: o meu homem nos últimos tempos é o Habib's! Vou explicar porque, calma não se zangue comigo ainda, veja as vantagens desse "moço": ele não custa muito, eu fico aqui em casa esperando ele vir cuidar de mim, no caso da minha fome, e chega em inacreditáveis 15 minutos! Fantástico.
       Conversando com outro amigo, eu ouvi uma frase ótima, que também entra pra essa lista de 'pensamentos da semana': ele dizia, "e mulheres: nenhuma decente (nem indecentes)..." eu ri, claro, mas isso é que é uma fase ruim, porque se não tem nem as indecentes você deve estar tipo preso num templo, ou algum lugar santo de onde não se vê a rua...
       Sabem, preciso dizer que essa semana, foi dura, é tive muita coisa pra pensar, observar, engoli um monte de sapos, mas sempre vendo aquele fio de luz... Que vem de um lindo apartamento em Nova York, com varanda! Brincadeiras a parte sobrevivi a essa semana de cão, e terminei pescando dela o que ela teve de melhor e mais engraçado! Acho que é assim, que a vida deve ser, porque se for de outro jeito a gente fica doida (contas pra pagar, menstruação, casa pra arrumar, homens para aguentar...) hahaha!
       Só mais uma coisinha:
-  Ô São Pedro, dá uma trégua na chuva meu filho, teu mês ainda não chegou, beleza?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cine PE - Olhar de uma estudante de Cinema - Dias 5, 6 e Premiação

      
       Bom gente, como eu não consegui um barco pra chegar no Centro de Convenções, e Recife na verdade quase se afogou de boatos, não pude estar presente nos dois últimos dias do Festival.
      Desta maneira, postarei aqui os filmes exibidos, mas sem de fato o 'meu olhar', afinal meu olhar só via a chuva rolando na janela de casa mesmo...

DIA 5

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS METRAGENS DIGITAIS E 35 MM:

 - O Som do Tempo (CE), Digital, Documentário, Direção: Petrus Cariry, 10 min.’
 - Flash (SP), Digital, Ficção, Direção: Alison Zago, 17 min.
 - Tempestade (SP), 35 mm, Animação, Direção: César Cabral, 10 min.’
 - Falta de Ar (DF), 35 mm, Ficção, Direção: Ércio Monnerat, 20 min.’
 - Matinta (PA), 35 mm, Ficção, Direção: Fernando Segtowick, 20 min.’
 - Calma Monga, Calma (PE), 35 mm, Ficção , Direção: Petrônio de Lorena, 19 min.’

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS:


 - Estamos Juntos (SP), Ficção, 35 mm, Direção: Toni Venturi, 95 min.

DIA 6
MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS DIGITAIS E 35 MM:

 - Peixe Pequeno (PE), Digital, Documentário, Direção: Vincent Carelli e Altair Paixão, 03 min.”
 - O Rio e Eu (PR), Digital, Ficção, Direção: Diego Lopes e Cláudio Bitencourt, 22 min.”
 - Carreto (BA), 35 mm, Ficção, Direção: Cláudio Marques e Marília Hughes, 12 min.
 - Acercadacana (PE), 35 mm, Documentário, Direção: Felipe Peres Calheiros, 19 min.”
 - O Céu no Andar de Baixo (MG), 35 mm, Animação, Direção: Leonardo Cata Preta, 15 min.’
 - Mens Sana In Corpore Sano (PE), 35 mm, Ficção, Direção: Juliano Dornelles, 20 min.

HOMENAGEM:

Homenagem Técnica:
Vânia Debs

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS:

 - Casamento Brasileiro (SP), Digital, Ficção, Direção: Fauzi Mansur, 100 min.


PREMIAÇÕES

HOMENAGENS:

Homenagem Institucional: Revista de Cinema, pelos 10 anos de edições
Homenagem Institucional: Baile Perfumado, pelos 15 anos de exibição no I Cine PE
Homenagem Política: Governador Eduardo Campos, responsável pela criação do maior programa de incentivo ao audiovisual da história de PE, considerado hoje como um dos mais expressivos do Brasil.

SOLENIDADE DE PREMIAÇÃO/ENCERRAMENTO:

MOSTRA ESPECIAL DE LONGAS-METRAGENS:

 - O Rochedo e a Estrela (PE), 35 mm, Documentário, Direção: Kátia Mesel, 85 min.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cine PE - O olhar de uma estudante de Cinema - Dia 4

       A quarta noite de Festival, começou também com um pequeno atraso, mas já acostumados com a baixa na platéia e a demora das pessoas para conseguir chegar ao Centro de Convenções, as atividades logo foram iniciadas.  Primeiramente tivemos a Mostra Competitiva de curtas-metragens Digitais:

 - Ovos de Dinossauro na Sala de Estar (PR), Documentário, Direção: Rafael Urban, 12 min. - Ragnhild Borgomanero é uma senhora de 77 anos, que junto ao marido reuniu uma das maiores coleções particulares de fósseis da América Latina. Neste curta, escutamos ela contando um pouco de sua vida, profissão e amor.

 - Traz Outro Amigo Também (RS), Ficção, Direção: Frederico Cabral, 14 min. - Para mim, o melhor curta da noite foi este, onde Samuel, detetive particular, aceita um trabalho sem saber quem deve procurar. Só depois de assinar o contrato é que lhe foi dito, que o desaparecido é o amigo imaginário de infância do Sr. Artur. Com a ajuda de seu sobrinho, Samuel embarca no mundo dos amigos imaginários, resgatando assim, não só o amigo de Seu Artur, mas um pouco de sua infância.

       Depois partimos para o Longa-metragem Digital:

 - Vamos Fazer um Brinde (RJ), Ficção, Direção: Cavi Borges e Sabrina Rosa, 70 min. -  A história se passa na noite de Ano Novo, onde um grupo de amigas se mete e resolve problemas a noite toda, brindando sempre que um conflito está solvido. O grupo inclui um amigo delas, gay, que se integra como se fosse de fato mais uma menina, e a mãe de uma delas, que sob pretexto de entregar rabanadas para a festa, vai ficando até o final.

       Com um intervalo mínimo, as pessoas saíram esticaram um pouco as pernas, e logo voltaram para ver o último curta-metragem da noite e o ultimo longa:


 - Náufragos (SP), 35 mm, Ficção, Direção: Gabriel Amaral Almeida e Matheus Rocha, 15 min. - Dona Odete, uma senhora muito velhinha e confusa acha que perdeu o marido dentro de casa,  e que não pode confiar na empregada. O curta segue ao som de uma aula de ginástica transmitida pela velha televisão de Dona Odete.

 - JMB, O Famigerado (PE), Digital, Documentário, Direção: Luci Alcântara, 105 min. -  Documentário produzido sobre o poeta Jomard Muniz de Britto, filmado por mais de um ano. Acompanha o poeta em suas andanças pela cidade do Recife.


       Sem nenhuma homenagem, a noite foi apenas dedicada aos filmes em competição.